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Interactions with Man (TRANSLATE)

A relação do homem com os golfinhos vivendo em rios é muito mais intima do que com seus parentes marinhos. A razão disso é óbvia – os rios e lagos nos quais os golfinhos vivem são circundados por terra, e essas vias aquáticas são freqüentemente usadas para expansão das populações humanas como vias de transporte e fonte de alimentos. Conflitos são inevitáveis entre os dois grupos de “usuários” e, igualmente inevitável, é que são os golfinhos que sempre acabam perdendo. Felizmente para todos, é que essas vias fluviais na região de Tefé não foram degradadas por industrias ou represamento, mas o tráfico de barcos é intenso e a pesca é feita tanto para subsistência quanto comercialmente levando à captura acidental e morte desses golfinhos.

 

Um dos objetivos do nosso estudo é avaliar o nível e o tipo de impacto induzido pelo homem sobre os golfinhos na área do Mamirauá, e em particular, para verificar se tal impacto é sustentável. Podemos esperar dois tipos de impactos – direto e indireto. Impactos diretos são óbvios e incluem afogamentos em redes de pesca ou atropelamento dos golfinhos por barcos. Efeitos indiretos são menos aparentes mas podem potencialmente ser sérios a nível de população.  Estes incluem o deslocamento dos pelas atividades humanas como ruídos de motor, pelos efeitos negativos da poluição química sobre a saúde dos animais, e a redução de suprimento de alimento causado pela sobrepesa.

É ainda muito cedo para nós podermos fornecer respostas definitivas a todas essas questões, mas temos feito progressos em algumas áreas.

Efeitos diretos: Dois dos nossos botos marcados morreram em redes de pesca, e muitos outros golfinhos tem sido encontrados mortos próximos a Tefé com evidencias de emalhamento. Um boto jovem foi encontrado com um anzol grande cravado na sua cabeça. A pesca parece ser responsável pela maior parte da mortalidade de golfinhos induzida pelo homem; até agora não encontramos outra evidencia de impacto direto. Nosso trabalho para quantificar a mortalidade relacionada a pesca e relaciona-la ao tamanho da população continua. Alguma mortalidade extra pode provavelmente ser sustentada por uma população de golfinhos sadia, mas mesmo uma a dois porcento de aumento na taxa de mortalidade de adultos poderá induzir a um declínio populacional dessa espécie de vida longa, e de reprodução lenta como o boto da Amazônia.

Efeito indireto: Os botos aparentemente são resistentes a maioria das atividades humanas em rios e lagos nessa região; uma das maiores densidades de botos é encontrada no próprio porto de Tefé., onde níveis de ruído e poluição são bastante altos. Dentro do Mamirauá, existem evidencias de que os botos evitam os flutuantes em canais estreitos, assim sendo, cuidados extras devem ser dados na escolha dos locais onde colocar novas habitações humanas. A Reserva Mamirauá tem bastante sorte por não existir represamento dos rios no seu entorno ou próximo a ela, porque os impactos catastróficos das represas no ambiente fluvial é provavelmente a principal causa do desaparecimento dos golfinhos de rio na maior parte da Ásia.

Com o quadro acima emergindo, nossa pesquisa nesse campo atualmente esta direcionada para mortalidade de golfinhos relacionadas com pescarias e em particular com o estrago causado pelas redes de monofilamento de malhas grandes. Na Reserva de Mamirauá, como na maior parte do mundo hoje, a maioria das mortes de cetáceos (baleias e golfinhos) são causadas por afogamentos acidentais nessas redes do que por todos os outros fatores juntos, inclusive capturas intencionais.

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Getting to know individual dolphins

Nossos estudos aso baseados numa seqüência de técnicas de pesquisas que foram desenvolvidas e adaptadas especialmente para uso em habitats de florestas tropicais alagáveis. Esse trabalho se baseia na capacidade de identificação de mais de 200 botos individualmente. Diariamente as observações feitas em botes de alumínio aso muito mais valiosas se estiverem relacionadas a golfinhos de idade, sexo e estatus reprodutivo conhecidos. A identificação individual nos permite acompanhar a vida dos golfinhos durante anos, registrando eventos importantes como nascimento e desmame de um filhote ou descobrindo onde cada animal passa seu tempo. Isso nos permite determinar que golfinho gosta de se associar com qualquer outro indivíduo, e se essa associação tem características compportamentais sazonais tais como movimentos e migração.

 

A identificação dos indivíduos é feita a partir de marcas colocadas na parte superior do corpo ou da nadadeira dorsal do animal, utilizando uma técnica conhecida com criogênica (freeze-branding), bastante usada para marcar cavalos, gado e mesmo pequenos mamíferos. Esta técnica requer o uso de um bloco de metal com uma letra, número ou símbolo, resfriado em nitrogênio líquido e que é colocado na pele do animal durante alguns segundos; nos golfinhos ela deixa uma marca clara que pode permanecer durante toda a vida do animal.


Enquanto a marcação é feita, nós medimos, pesamos, fotografamos e coletamos amostras do animal para informação de vários outros aspectos da biologia da espécie. Após esses procedimentos, o golfinho é então solto e rapidamente assume seu comportamento normal. Um dos resultados desse trabalho de marcação foi a constatação de que muito mais indivíduos usam a Reserva do que seria aparente se nós não pudéssemos identificar os animais. O número médio de botos na área de estudo é de cerca de 50, embora nós já temos marcado mais do que 200 diferentes botos e muitos ainda não estão marcados. A implicação desse resultado é que algumas centenas de botos usam o Mamirauá durante o ano, e uma grande proporção desses botos o fazem por períodos relativamente pequenos ou talvez somente de poucos dias ou semanas. Um boto macho adulto bem conhecido (boto número 22 “HH”) é um bom exemplo disto. Ele foi marcado pela primeira vez em novembro de 1994 e permaneceu na Reserva (Sistema Mamirauá) durante 8 meses antes de desaparecer por quase 3 anos. Em junho de 1998 nós o encontramos novamente, brincando com um bloco de argila, no coração da Reserva. Daí ele desapareceu por mais um ano e foi avistado novamente em julho de 2000, recapturado em outubro de 2000 e avistado freqüentemente no inicio de 2001. Este velho macho é um dos vários botos com uma história interessante, mas nós nos lembramos bem dele porque antes que nós o encontrássemos pela primeira vez, ele deve ter sido emalhado em alguma rede de pesca e foi bastante machucado, ficando com apenas uma nadadeira peitoral, sendo imediatamente reconhecível por uma profunda cicatriz, facilmente reconhecível nas suas costas.

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How many dolphins, and where do they go?

Um outro importante elemento do Projeto Boto é descobrir quantos golfinhos, das duas espécies ocorrem no Sistema Mamirauá e nos rios e lagos no entorno da Reserva. Para isso, nós usamos dois tipos diferentes de barcos – um pequeno bote de alumínio para trabalhar nos canais estreitos nas áreas alagadas e um barco de 20m nos rios largos e nos grandes lagos. Cada tipo de levantamento requer sua metodologia única e precisa para a coleta de dados de avistagens, e nossos resultados tem sido fascinantes. Nós encontramos que em certas épocas do ano a densidade dos botos nos canais das áreas alagáveis é maior do que os registros existentes para qualquer outra espécie de golfinho no mundo, e também que essa espécie prefere mais as margens dos rios do que o centro. Os tucuxis  também preferem as margens, especialmente onde os paranãs desembocam nos rios, mas aso mais encontrados em águas profundas.

Uma das técnicas modernas empregadas neste estudo é a rádio telemetria, ou rádio rastreamento como também é conhecida. Instalamos pequenos rádios transmissores em 56 botos adultos, dos quais 3 se comunicam por satélite para fornecer a posição do animal e 53 foram rastreados localmente usando receptores montados acima do docel da floresta em torres ou árvores. Nossos resultados mostraram que a maioria dos botos na Amazônia Central efetuam movimentos locais de dezenas de quilômetros em respostas as mudanças cíclicas do nível da água, mas que não fazem migrações de larga escala.  Movimentos diários variam de quase nada (golfinhos permanecendo em uma mesma pequena área) a mais de 30km. Além disso, alguns dos nossos animais marcados foram avistados mais de 100 km distante do local de captura, e um boto com rádio-transmissor foi avistado por uma equipe de pesquisadores alemães no Peru, cerca de HH km do Mamirauá. Nós não sabemos a identidade desse boto, mas o que nós sabemos (se essa informação for verdadeira) é que esse animal retornou à reserva porque todos os animais com rádio nesse período foram registrados pela nossa equipe após a observação no Peru.

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Social behaviour

Uma parte interessante do nosso trabalho esta relacionada com o comportamento social dos botos do Mamirauá. Muito pouco é conhecido sobre a estrutura social dos cetáceos em geral, e o conhecimento para os golfinhos de água doce é particularmente pobre. Nossas observações mostram que, em contraste com a maioria dos golfinhos marinhos, os botos não formam grupos familiares e que a única associação estável é entre a mãe e seu filhote. Evidencia para isso foi encontrada observando as associações em grandes agregações de botos que ocorrem freqüentemente em certos tipos de habitat. A capacidade de identificação individual nos permite ver que os botos freqüentemente se juntam e deixam estes grupos e agregações, dessa forma os membros dos grupos variam dia a dia e de hora em hora. Tais grupos podem ser considerados análogos a um supermercado,, onde os golfinhos entram não por causa de quem esta dentro, mas que tipo de alimento esta em oferta.

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